A soteriologia é a parte da teologia que trata da comunicação das bênçãos da salvação ao pecador e seu restabelecimento ao favor divino e à vida de íntima comunhão com Deus. Esta doutrina pressupõe conhecimento de Deus como a fonte da vida e da completa dependência em que o homem está de Deus, para o presente e para o futuro. Desde que ela trata de restauração, redenção e renovação, só pode ser apropriadamente compreendida à luz da condição originária do homem, criado à imagem de Deus, e da subseqüente perturbação causada pela entrada do pecado no mundo. Além disso, visto tratar da salvação do pecador considerada como obra totalmente de Deus, conhecida desde a eternidade, naturalmente ela transporta os nossos pensamentos retroativamente para o eterno conselho de paz e para a aliança da graça, em que foi feita a provisão para a redenção do homem decaído.
Portanto, ao definir-se o conteúdo da soteriologia, é melhor dizer que ela trata da aplicação da obra de redenção. E, esta matéria deve ser estudada teológica, e não antropologicamente. A obra de Deus, e não a do homem, é que está em primeira plana.
a. A Ordem Salutis (Ordem da Salvação)
A ordo salutis descreve o processo pelo qual a obra de salvação, realizada em Cristo, é concretizada subjetivamente nos corações e vidas dos pecadores. Visa a descrever em sua ordem lógica a também em sua inter-relação, os vários movimentos do Espírito Santo na aplicação da obra da redenção. A ênfase não recai no que o homem faz, ao apropriar-se da graça de Deus, mas no que Deus faz, ao aplicá-la.
Quando falamos de uma ordo salutis, não nos esquecemos de que a ação de aplicar a graça de Deus ao pecador individual é um processo unitário, mas simplesmente ressaltamos o fato de que é possível distinguir vários movimento no processo, que a obra de aplicação da redenção segue uma ordem definida e razoável.
Pode-se levantar a questão sobre se a Bíblia alguma vez indica uma ordo salutis definida. A resposta é que, embora ela não nos dê explicitamente uma ordem da salvação completa, oferece-nos base suficiente para a referida ordem. A melhor aproximação a algo como uma ordo salutis na Escritura é a declaração de Paulo em Rm 8:29,30. Mas, conquanto a Bíblia não nos dê uma nítida ordo salutis, ela faz duas coisas que nos ajudam a elaborar uma ordem, sãos elas:
* A Bíblia nos dá uma completa e rica enumeração das operações do Espírito Santos na aplicação da obra realizada por Cristo a pecadores individuais, e das bênçãos da salvação comunicadas a eles. Ao fazê-lo ela nem sempre usa os termos empregados na dogmática, mas frequentemente recorre ao uso de outros nomes e de figuras de linguagem. Ale, disso, muitas vezes ela emprega termos que vieram a adquirir sentido técnico muito definido na dogmática. Palavras como regeneração, vocação, conversão e renovação, repetidamente servem para designar toda a transformação que se opera na vida interior do homem.
* A Bíblia, também, indica, em muitas passagens, a relação que os diferentes movimentos atuantes na obra da redenção mantém uns com os outros, por exemplo:
(a) Ela ensina que somos justificados pela fé e não pelas obras (Rm 3:30; Gl 2:16-20);
(b) que sendo justificados, temos paz com Deus e acesso a Ele (Rm 5:1,2); (b) que, quando somos adotados como filhos, recebemos o Espírito, que nos dá segurança, e também nos tornamos co-herdeiros com Cristo (Rm 8:15-17; Gl 4:4-6);
(c) que a fé em pelo ouvir a Palavra de Deus (Rm 10:17);
(d) que, quando cremos somos selados com o Espírito Santo (Ef 1:13,14);
(e) que é necessário andar de modo digno da vocação com que fomos chamados (Ef 4:1,2);
(f) e que somos gerados de novo mediante a Palavra de Deus (I Pe 1:23).
Em vista do fato de que a Bíblia n/ao especifica a ordem exata seguida na aplicação da obra da redenção, há naturalmente amplo espaço para diferenças de opinião. A doutrina da ordem da salvação é fruto da Reforma. Dificilmente se achará nas obras dos escolásticos algo que se lhe assemelhe.
Desde que o protestantismo teve como ponto de partida a crítica e a remoção do conceito católico romano de fé, arrependimento e boas obras, era simplesmente natural que o interesse dos reformadores se centralizasse na origem e desenvolvimento da vida em Cristo.
As seguintes exposições da ordem da salvação refletem as concepções fundamentais do método de salvação que caracterizam as diversas igrejas, desde a Reforma.
1. Conceito Reformado Calvinista: principia a ordo salutis com a regeneração ou com a vocação e, assim, salientam o fato de que a aplicação da obra redentora de Cristo é, em seu início, uma obra de Deus. Segue-se a isto uma discussão da conversão na qual a obra da regeneração penetra a vida consciente do pecador, e ele se volta do ego, do mundo e de Satanás para Deus. A conversão inclui o arrependimento e a fé. A discussão da fé leva naturalmente à da justificação considerando que esta nos é mediada pela fé. E porque a justificação coloca o homem numa nova relação com Deus, levando junto consigo a dádiva do espírito de adoção e impondo ao homem uma nova obediência e também lhe dando capacidade para fazer de coração a vontade de Deus, a obra de santificação é considerada logo a seguir. Finalmente, conclui-se a ordem da salvação com a doutrina da perseverança dos santos e a sua glorificação. Neste ardem, necessário se faz que venhamos a fazer algumas distinções, vejamos:
* Devemos distinguir entre os atos judiciais (justificação) e ao atos recriadores (regeneração e conversão) de Deus, alterando a condição do pecador.
* Entre a obra realizada pelo espírito Santo no subconsciente (regeneração), e a obra realizada na vida conscinete (conversão).
* Entre aquilo que se refere ao despojamento do homem velho (arrependimento, crixificação do homem velho). E aquilo que constitui o revestimento do homem novo (regeneração, e em parte, santificação).
* Entre o princípio da aplicação da obra de redenção (na regeneração e na conversão propriamente dita), e a continuação dessa aplicação (na conversão diária e na santificação).
2. Conceito luterano: Os luteranos fazem uma exposição da ordo salutis que coloca a principal ênfase naquilo que é feito da parte do homem, antes que naquilo que é feito da parte de Deus. Eles vêem na fé primeiramente um dom de Deus, mas, ao mesmo tempo, fazem da fé, considerada particularmente como princípio ativo no homem e como uma atividade do homem, o fator absolutamente determinante em sua ordem da salvação. Acrescentar
3. Conceito Católico Romano: fazer
4. Conceito Arminiano: O arminiano considera a expiação de Cristo “como uma oblação e satisfação pelos pecados do mundo inteiro, isto é, todos os indivíduos da raça humana. Ele nega que a culpa do pecado de Adão seja imputada a todos os seus descendentes, e que o homem seja por natureza totalmente depravado, e , portanto, incapaz de fazer algum bem espiritual; e crê que a natureza humana ainda é capaz de fazer aquilo que é espiritualmente bom e de converter-se a Deus. Deus concede a graça suficiente a todos os homens e os capacita a, se o quiserem, atingir a plena posse das bênçãos espirituais, e , por último, a salvação. A oferta do Evangelho vem a todos os homens, e exerce uma influência moral, enquanto que eles detêm o poder de resistir-lhe ou render-se a ele.
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